Olha, menina, não brinca não
Minha paciência míngua e suspende
Se esvai com palavras em vão
Depois eu sumo e você não entende
Difícil é prever até onde irei
Se longe de você, a visão embaça
E pensar que, tão logo me apaixonei,
Fui surpreendido pela desgraça
Ainda imagino como é te ouvir falar
De todas as vezes que te fiz feliz
E, apesar de tentar, não consigo lidar
Com tudo aquilo que você não diz
Você provoca meus sorrisos sem pudor
E promete que é tão recíproco quanto
Meu último presente é, então, meu rubor
Deixando minha dignidade num canto
Olhe pra mim, mantenha os ouvidos atentos
Posso apenas pedir, encarecidamente,
Que não desperte os meus sentimentos
Se for retorná-los ao estado dormente?
Sigo escrevendo, a menos que eu mude
É inútil enfrentar beleza tão rara
Difícil disfarçar minha inquietude
Ou minha vontade de virar a cara
Só queria, por um momento, ser lembrado
Mas, pro meu azar, infelizmente
Alguém achou que seria muito engraçado
Testar comigo até onde se mente
Depois, só não venha dizer que fui injusto
Se suas plenas palavras só choviam promessas
Supondo meu coração um relicário vetusto
Brinquedo usado, faltando peças
Olha, menina, não brinca não
Já venci o abismo onde uma vez caí
Pense bem antes de soltar minha mão
Depois eu sumo... E aí?
(Cesar Antelo Garcia)
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