Já faz anos. Sua memória
continua gritante em mim. Seu rosto, seu jeito, sua voz, seu cheiro.
Tudo como se ainda estivesse do meu lado. Mas já faz anos que não está
mais.
Me levanto e olho pela janela. Procuro as surpresas que o novo Sol me traz nesse dia. Encontro apenas minhas obrigações costumeiras.
Abro o armário para me atirar na vida mais uma vez. Mais um dia vazio.
A campainha toca. Minha mãe vai atender enquanto perambulo pelas roupas. Eis que num súbito movimento, ela para diante da porta com uma expressão otimista. Anuncia: é ela. Arregalo meus olhos e corro em direção à sacada. É verdade. Ela está ali. Me viro e vou de encontro ao meu vislumbre.
Minhas pernas mudam de longos saltos para passos curtos. Fracas, incontroláveis, trêmulas. Imóveis. Todas as cores começam a se misturar e desfazer a figura do que há em volta. De repente, tudo fica preto.
Abro os olhos com o coração a mil. Olho em volta duas, três, quatro vezes. Mesma escuridão. Chamo pelo seu nome, primeiro, com um lamento, seguido de um sussurro abafado.
Finalmente olho para frente e me ponho a chorar. Forço para que o choro seja cada vez mais compulsivo, pois as lágrimas são como os demônios que acabaram de chegar para zombar de mim. Preciso me livrar deles.
Chega o momento em que minhas pálpebras se cansam de abrir, pois sei que continuar a te procurar aqui é inútil. Elas permanecem fechadas, até que outro sonho vem e apaga, por algumas horas, a tortura, me transportando para uma nova promessa.
Amanhã é um novo dia.
(Cesar Antelo Garcia)
Me levanto e olho pela janela. Procuro as surpresas que o novo Sol me traz nesse dia. Encontro apenas minhas obrigações costumeiras.
Abro o armário para me atirar na vida mais uma vez. Mais um dia vazio.
A campainha toca. Minha mãe vai atender enquanto perambulo pelas roupas. Eis que num súbito movimento, ela para diante da porta com uma expressão otimista. Anuncia: é ela. Arregalo meus olhos e corro em direção à sacada. É verdade. Ela está ali. Me viro e vou de encontro ao meu vislumbre.
Minhas pernas mudam de longos saltos para passos curtos. Fracas, incontroláveis, trêmulas. Imóveis. Todas as cores começam a se misturar e desfazer a figura do que há em volta. De repente, tudo fica preto.
Abro os olhos com o coração a mil. Olho em volta duas, três, quatro vezes. Mesma escuridão. Chamo pelo seu nome, primeiro, com um lamento, seguido de um sussurro abafado.
Finalmente olho para frente e me ponho a chorar. Forço para que o choro seja cada vez mais compulsivo, pois as lágrimas são como os demônios que acabaram de chegar para zombar de mim. Preciso me livrar deles.
Chega o momento em que minhas pálpebras se cansam de abrir, pois sei que continuar a te procurar aqui é inútil. Elas permanecem fechadas, até que outro sonho vem e apaga, por algumas horas, a tortura, me transportando para uma nova promessa.
Amanhã é um novo dia.
(Cesar Antelo Garcia)
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