Foi.Foi um lapso da mediocridade.
Uma distração da inércia, do tédio.
Uma surpresa. Arrebatadora. Inesperada.
Como não ser inesperada, sendo surpresa?
E se o seu desfecho fosse esperado? Ainda assim seria surpresa?
Foi.
Foi um risco no céu.
Um momento, multiplicado em vários.
Bivalentes. Impulsivos. Inconsequentes.
Um texto mal acabado. Iniciado por uma mão torta, trêmula.
Letras bonitas. Letras feias.
Foi.
Foi um amor de verão.
Um percalço na linearidade, na mesmice.
Uma renovação, na verdade. Uma novidade.
Um depósito de sonhos, fonte de força.
Realizações não realizadas. Presas. Desesperadas.
Foi.
Foi mais que isso.
Como sempre será, até que não seja mais.
Uma tela de diamantes num fundo azul marinho.
Um grito desesperado para ser calado.
Mas libertado mesmo assim. Não bem vindo.
Foi.
Foi o que deveria ter acontecido.
Pra te fazer buscar um porquê.
E quem precisa de porquê?
A vida não se preocupa com o que você precisa.
Se diverte ao ver sua alma em transe. Mutante. Agonizante.
Foi.
Foi tudo o que você queria.
Foi?
Foi necessário. Foi arranjado. Foi novo.
Foi desafiador. Foi discutido. Foi interrompido.
Foi devastado. Foi misterioso. Foi incógnito.
Foi marcante. Foi difícil. Foi lindo.
Foi você.
Você.
Se foi...
(Cesar Antelo Garcia)
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